23.05.09
Regras do jogo
Antes de conhecer as regras do jogo
Eu – ignorante-
Jogava o amor com as minhas próprias regras
E me jogava
Acreditando sempre
Livre, espontânea
Na recriação do amor
Entidade que precisa de carne para existir
O amor só existe entre
E de repente as caretices me alcançaram
E pelos destroços do meu coração partido
Me vejo observando convenções que nunca dei atenção
Fazendo concessões
Se é tão importante a contenção numa mulher,
Eu me calo, falo baixo, cruzo as pernas
Se é preciso deixar que ele aja primeiro
- Deus me livre que se sinta ameaçado-
Eu cedo e muito donzela
Espero o telefonema, o convite
E nego sempre sexo no primeiro encontro
- Ai, como me cansa esperar -
Já me vejo outra mulher
E direi que não, nunca tive experiências homossexuais
E direi que não, nunca me entreguei aos encantos do sexo casual
Do sexo em lugares públicos
Do sexo
Qualquer homem que estiver na minha cama será sempre o primeiro ou coisa assim
E protestarei contra a velocidade das coisas
Corarei com as indecências que conheço de cor
E aguardarei pacientemente a ligação do dia seguinte
É que só negando o sexo uma mulher tem passe livre para o amor
É que só vale uma mulher sem passado, nascida ontem
E eu começo a me cansar de fazer as coisas sempre diferente
De enfrentar resistências
De carregar bandeira
Quando o que quero é a ternura dentuça do Manuel Bandeira
O problema é que sem aquela espontaneidade
Eu perco um pouco a alegria
E amarrada em regras que não são as minhas
Perco cada vez mais a vontade de amor
-
criado por Laura Moreira
10:14:49