Safo foi a única voz feminina na literatura da antiga Grécia. Veio massacrada, como tantas mulheres que buscaram autonomia ao longo dos séculos. Uma voz perdida no tempo, e eu, mulher, vim sussurrar os antigos fragmentos obscurecidos. Laura Moreira
Safo foi a única voz feminina na literatura da antiga Grécia. Veio massacrada, como tantas mulheres que buscaram autonomia ao longo dos séculos. Uma voz perdida no tempo, e eu, mulher, vim sussurrar os antigos fragmentos obscurecidos. Laura Moreira
“Amo a hera, que entende a voz do muro.” Florbela Espanca
É da natureza dos muros essa dureza, essa solenidade É da natureza dos muros esse escondido, esse segredo E essa vontade que dá na gente de ver o outro lado E de fazer o muro sorrir E de ganhar este tesouro implícito.
Tesouro este que sabe deus o que será Um quintal sujo, cheio de frutas Uma piscina de águas amarelas Ou ainda uma casa abandonada Ou ainda um poço estagnado.
Ou, quem sabe, todos os tesouros da infância E, se for em Minas, um forno de barro Para assar pão de queijo e histórias de fantasma.
Quantas delícias contém um muro Quantas vontades um muro velho desperta Em mim, uma vontade de ser hera De acarinhar paredes duras De aumentar frestas e florir em rachaduras Só os muros velhos me interessam.