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“Oh, Fique ao lado da janela
Enquanto as lágrimas escaldantes escorrem;
Você deve amar o seu vizinho desonesto
Com o seu coração desonesto”
W. H. Auden
É um mundo imperfeito
Querida, de imperfeitos encontros
Se acalma e vê:
Seu pai não é um herói
Mas você também não é
Sua mãe não te ama incondicionalmente
Mas você seria capaz deste amor?
Tuas irmãs amam e mentem
Amam e invejam
Amam e magoam, negligenciam, odeiam
Exatamente como você
Seu companheiro não é um príncipe encantado
E você não é a encarnação da luminosidade
Nem a Simone de Beauvoir
Nem a Madona
Não adianta se lamentar amor,
Desiste de tocar as estrelas
Elas existem na distância infinita
Abre os olhos para as flores perto do chão.
Mas você sempre me pareceu tão forte!
Tão forte, muito forte, a mais forte
Aquelas palavras ecoando
A maior mentira, é claro, já que tudo me dói
O lixo, a catedral e a forma das mãos,
Como diz a Adélia Prado.
Forte como, se cheia de rachaduras?
Se trincada por cada pequeno acontecimento
Se constante vontade de afogar
Se tudo dói, forte onde?
Forte como?
Pelo tamanho das coxas, pelo formato da boca?
Por essa mania de fazer sempre piada?
E eu me perguntando quem contou primeiro essa mentira
Se eu, o padre, o sacristão ou o leproso de Pouso Alto.