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Eu não sei o que é poesia, mas não é nada disso que você está pensando.
E não é que deu pra comer flor a menina?
Tudo bem, Comadre
Se não é a coisa mais espantosa,
(Deus sabe que nessa vida já vi de um tudo),
A mais comum é que também não é.
Eu já vi caso de gente que come terra,
De criança que roía parede ,
Até gente que bebe xixi vi outro dia na tv.
Mas uma menina inteligente,
Que todo mundo achava mais ou menos normal,
Bonitinha até, não fosse tão descabelada a pobrezinha,
Sair por aí dentando ipê amarelo num tem cabimento.
Ontem mesmo, lá na rua de cima,
Vi a menina sentadinha embaixo de uma arvore de ipê
Com as mãos cheia de flor amarela.
E mastigava que parecia que era, sei lá,
A maior gostosura do mundo.
Como se fosse chocolate ou coisa assim.
Comia que se regalava.
Um caldo amarelo caindo na roupa.
Chega dava um desconforto na gente.
Você sabe né, comadre,
Eu queria ir embora.
Não gosto disso
De ficar cuidando da vida dos outros.
Mas não agüentei, parecia feitiço.
Fiquei ali espiando, espiando,
E quanto mais espiava mais era difícil de parar.
As pernas bambas
E de repente a boca ficando cheia d´água...
Eis que floriu uma rosa no meu ipê amarelo...